páginas soltas

sábado, 22 de maio de 2021

"Assim podia ler na cama. Os livros"

"O puro desperdício. Para me vingar da pobreza em que cresci. Só havia luz numa divisão, ia-se para a cama às escuras. Os poucos centavos da mesada que recebia gastava-os em pilhas, para uma lanterna de bolso. Assim podia ler na cama. Os livros, roubava-os. Livros não devem custar nada, era o que eu achava então e ainda hoje penso o mesmo. Passavam a vida a cortar-nos a eletricidade por não pagarmos as faturas. Cortar a luz  - nunca me hei--de esquecer da ameaça. São sempre aquelas coisas simples que nunca conseguimos ultrapassar. Como aquilo que cheirava; o ardor depois da bofetada; o modo súbito como a escuridão inundava a casa; a grosseria de praguejar do pai."

Comboio Nocturno para Lisboa
Pascal Mercier





Eu nunca roubei literalmente livros, mas li todos os livros de todas as bibliotecas pessoais que encontrei até a vida adulta me apanhar com a falta de tempo para fazer mais do que ir lendo aos poucos as bibliotecas dos que me rodeiam e da minha também....
A mim nunca vieram "cortar a luz" mas a expressão é-me familiar e poderia ter acontecido se lá em casa os adultos não soubessem priorizar e vivessem todos eles em função de nós... os mais novos... 
Apesar disso também li às escondidas. Assim que aprendi a ler, para mim foi como se me tivessem dado asas e passei a ser uma " ratinha de biblioteca". Lia a toda a hora, lia o que queria porque as.bandas desenhadas que se trocavam entre os miúdos da altura não me chegavam. Também as lia, mas duravam pouco e não me lembro de ter realmente prazer em as ler.
Lembro-me de a minha avó, durante as férias de verão em que tinha os netos todos em casa e a porta sempre aberta para brincar na rua (depois da hora de maior calor) me aconselhar ( até me convencer) a ir brincar lá para fora e largar os livros. E lembro- me bem de com uns 7 anos ter um quarto criado numa parte da sala adaptada só para mim, porque eu achava que era crescida e queria um quarto só para mim. Esse espaço para além de estar dividido por degraus da sala de estar também tinha um cortinado, mas era claro e eu conseguia ter luz suficiente para ler depois de ser suposto estar a dormir...
Fui apanhada algumas vezes e agora percebo que nunca seria muito tempo porque estava cansada e não me lembro de ler muito, mas durante anos ponderei secretamente se esse não teria sido o motivo para passado alguns anos ter passado a "usar óculos ".



sábado, 12 de setembro de 2020

Da Gentileza :)

 


Para mim ser gentil devia ser básico. Fazer sempre parte. Mais ou menos como lavar as mãos. Haja ou não uma pandemia a avassalar o mundo, faz parte.

Para os meus alunos também. É logo das primeiras coisas que falo quando falamos das "regras" da sala de aula. Para mim, a gentileza, a cortesia e a camaradagem são palavras que saíram de moda mas que balizam tão melhor a imensidão da banalizada palavra "respeito", embora ainda hoje e a respeito desta reflexão alguém me tenha explicado que a palavra na sua génese também é bem objetiva.

As pessoas desconhecidas são a minha maior fonte de inspiração. Elas aparecem na minha mente através apreendidas através dos sentidos e inquietam-me tantas vezes. Tantas mais vezes do que aquelas que eu consigo partilhar. Elas apareçam na sua vida como pequenos stop motions que serve de gatilho para reações que me lembram que viver também é isto de ser sociedade e partilhar com os outros.

Ontem ao longo do dia aconteceram muitas muitas situações, mas partilho duas que se relacionam com a simples gentileza:

Numa secretaria escolar, estava na mesa do lado (da parte de quem é atendido), uma menina que devia ter uns 15 anos. Toda bonitinha e engraçadinha e com aquele ar inconfundível  e amoroso do misto entre uma mulher e uma menina. Ela estava a tratar de várias situações e a pessoa que a estava a atender (que teria provavelmente netos da idade dela) explicou-lhe tudo com muita piada e bom humor, apesar das barreiras acrílicas e das máscaras. 

- Mas olha, nesse dia tens que encomendar o equipamento que é obrigatório e que é pago adiantado. - disse a senhora com voz de avó/mãe.

- O quê? Tenho que usar um equipamento daqui?

- Sim. É obrigatório.

- Mas como assim? Um equipamento tem o quê? T-shirt?

- Tem o que quiseres comprar. Calças ou calções, t-shirt, camisola...

- E eu tenho que usar sempre esse equipamento? - espantava-se a miúda, mas de forma sossegada e educada

- Pois - ria-se a senhora (e eu por dentro confesso). Mas o que querias usar, minha querida? Como é que estavas a pensar vir para as aulas? Assim de calças de ganga?

- Não! Mas pensei que pudesse pôr o equipamento para lavar e trazer umas calças ou assim...

- Ah, mas isso é com o professor. Falas com o professor e logo vês. Mas vem preparada aí com uns 10 euros. Depende do que quiseres comprar para fazeres logo a encomenda. - recomendou

- E tem que ser nesse dia? - perguntava a menina aflita

- Tens o dia a seguir, mas no dia a seguir vêm outros alunos à apresentação e depois é mais confuso. Traz nesse dia que é mais fácil.- sugeriu com toda a calma

- Está bem... - e a voz mal saía.

- Pronto, minha querida, é só isso? Podes ir. Tem um bom ano. - despediu-se a senhora sorridente da menina que foi atarantada dali.

O que enterneceu foi a gentileza, a empatia desta funcionária de uma secretaria onde todos corriam de um lado para o outro. A calma com que tratou esta nova aluna, como validou as suas dúvidas e preocupações. Como foi um pouco mãe e avó e irmã e amiga sem deixar de ser a senhora da secretaria. Fiquei emocionada, pois há muito que não assistia a um momento tão bonito neste contexto agreste que às vezes é uma escola. Encheu-me a alma de esperança e só não partilhei com a senhora o bem que me fez nesse dia (e provavelmente àquela menina e àquela família) porque mais uma vez a correria nos ganhou e roubou esse momento e antes de eu ser "despachada" já tinha saído, mas um dia em que tenha oportunidade vou falar-lhe disso...

Foi o que faltou na situação seguinte. Empatia, reconhecimento, amizade, amor..... gentileza.

Um casal aproxima-se da passadeira da via do lado oposto com um carrinho de bebé que a mulher empurrava. O homem começou a passar a passadeira sem esperar para confirmar que eu ia parar ou esperar que a mulher avançasse. Ela não avançou. Só avançou depois de eu parar, apesar de estarem do outro lado da rua. Parecia que iam fazer uma caminhada pelo sítio onde estavam e para onde se dirigiam e pelas roupas que vestiam. A mulher, possivelmente mãe recente, trazia roupa escura de treino e uma sapatilhas aparentemente novas. Aparentavam ser pessoas humildes. A senhora apresentava um ar cansado e pouco animado perante a "caminhada". O homem vestia uma roupa de dia escura, mas não de treino como se se tivesse levantado para fazer aquela caminhada. Eram treze horas de um dia de muito calor (mas vamos passar isso à frente - até podiam ter que fazer uma caminhada para ir ao médico... não vou julgar). A senhora passou mais devagar pois levava o carrinho que ao subir o passeio bateu e demorou mais um bocadinho. Quando passou à minha frente eu sorri-lhe. O homem esperou-a do outro lado, mas não a ajudou com o carrinho. A senhora depois de estar em segurança fez um gesto de agradecimento ao que eu respondi com um sorriso e um aceno de que não fazia mal. Tive pena dela.

 

Tive pena que tivesse (pelo menos naquele momento) ao seu lado uma pessoa tão pouco conectada e gentil. Tive pena que pudesse estar a acontecer o mesmo em tantas outras situações no mundo. Tive pena que ele não tivesse sido meu aluno ou filho dos meus pais ou neto da minha avó.... Fiquei triste pela dureza que impomos uns aos outros. Que coisa esta de nos fecharmos em nós. A vida é curta, mas maravilhosa se nos soubermos ajudar uns aos outros. 

A mensagem é mesmo esta. Sejam gentis. Sejam gentis genuinamente. No nada do dia a dia. No tudo do que os outros nunca vão ver. Sejam intrinsecamente gentis :)

 






imagem retirada do Pinterest - desconheço o autor

quinta-feira, 23 de abril de 2020

#41 - sensação de família embrulhada em cartão com selo


"Tell your brother you're listening to his dreams
Tell your sister she is all you need
Tell your mother she is the only one
And your father has made you all that you've become
Harrison Storm - Sense of home

Estou em casa há 41 dias.
Muitos dias. Num isolamento muito isolado e individual. Porque a minha saúde assim o exige e porque a minha normal também é um pouco assim.
Às vezes deve-se à distância, outras vezes à falta de tempo e muitas vezes à necessidade que tenho de ter tempo para ser eu, para estar comigo, para me mimar.
Certo é que este isolamento se faz sentir no meu humor, no meu sono, no meu cansaço, na minha capacidade para ser mais do que um cumprir de obrigações que sinto serem muitas, todas ao mesmo tempo e sempre em atraso. Em constante mudança e adaptação e sem rumo certo.
Quem me conhece sabe que venço as novidades com tanto desgaste como sucesso.
No fim são os sorrisos e a sensação boa de ter vencido, mas os inícios enchem-me a cabeça de ideias e formas de fazer, de pesquisas, de antecipações, de conversas sobre o que penso.
Neste caso nada disso parece justificar-se. Perdi-me neste novo mundo. Tenho dificuldade em saber como fazer o meu trabalho, em saber o que espera o país de mim como professora, o que esperam os pais, o que esperam os alunos, o que espero eu...
Têm sido dias muito difíceis e também eu penso muitas vezes em desistir.
Mas também eu já passei por muitos abismos pessoais e sempre me reconstruí.
Começo devagar a partilhar as coisas que me alegram, tanto para me consciencializar como na ideia de que alguém possa começar a olhar a vida com olhos mais meigos.
E é muito o que, ao longo do dia, me vai animando, dando esperança e espicaçando a minha capacidade de ir mais além e fazer diferente. Esperar mais, fazer mais, conseguir mais, ser mais.

Hoje partilho o que foi o momento mais feliz do meu dia. Recebi uma encomenda de casa.
Com cartas de correio, postais pintados pelo pai, máscaras feitas pela mãe, chocolatinhos da Páscoa, aneis que ficaram lá por casa quando o regresso se esperava breve. Tudo arrumadinho com tanto cuidado. Impossível que ao abrir a caixa não recebesse uma enorme lufada de amor. Sorri. Ri. Fiz um vídeo. Agradeci. Emocionei-me. Fui muito mais feliz ontem com este miminho.
Já passaram quase dois meses. Custa.
Felizmente estamos todos bem e isso protege o nosso coração de quebrar, mas as saudades já são muitas. As nossas pessoas ganharam um valor diferente. São as nossas. São as que queríamos abraçar e acalmar. São as que não queremos saber doentes nesta distância física e obrigatória. São as que queremos continuar a ver motivadas e a fingirem-se esquecidas da crise económica que nos afetará fortemente. São as pessoas que nos compreendem de verdade, são as que nos querem sempre bem, são as únicas em que confiamos. São as nossas.

Tradução não literal das palavras acima:

Diz às tuas irmãs que estás sempre disponível
para ouvir e discutir os seus sonhos
Diz aos teus sobrinhos que eles são tudo
o que precisas para sorrires e seres feliz
Diz à tua mãe que ela é única.
Mesmo única!
Diz ao teu pai que a pessoa em que te tornaste
se deve, em muito, a ele.


I do not own the rights of the music. If any producer or label has an issue with this song, please get in contact with me and I will
delete it immediately

quarta-feira, 1 de maio de 2019

da alma.


Se o dia se faz de luz e escuridão,
se o ano se faz de outonos e primaveras,
se a vida se faz de inícios e finais,
de que se revestiriam as nossas relações?
Necessariamente de momentos contraditórios e sentimentos antagónicos, contínuos e involuntários.
Passarão todas elas pelos momentos de receio, de filtro, de reconstrução de nós próprios naquilo que achamos que o outro procura? Descobriremos em todas elas outras versões de cada indivíduo que se constroem na convivência do momento atual, necessariamente diferente da construída em outros momentos anteriores?

Há quem diga que uma relação se resolve na seguinte. Será assim?
Também há quem defenda que os fantasmas do passado nos condicionam no futuro. Poderá ser antes assim?
Ou poderão ambas ser verdade e nenhuma delas necessariamente verdadeira?

O certo é que o amor se desenvolve numa espécie de balão de esperança, alheio aos condicionalismos do presente e aos projetos do futuro. Existe uma energia diferente que nos estimula a acreditar sem provas, a sentir sem racionalizar, a confiar sem pedir confirmação. E é dentro desse balão que cometemos a imprudência de nos mostrares como somos, de nos deixarmos ler para além do que nós próprios abarcamos ou podemos compreender. Existe uma almofada de conforto que nos diz que tudo vai sempre correr bem.

E depois chegam os padrões de comportamento, as necessidades, a rotina, a sociedade...
- As relações também são feitas dessas dúvidas, dessas mágoas, desses recuos e avanços. - dizem
- Não há relações perfeitas. É saber reconstruí-las quando tudo parece perdido que vai permitindo viver mais um dia e é na soma desses dias que se concretizam as relações que aos olhos dos outros são perfeitas. - ouço dizer.
Talvez. O certo é que por mais discreto que seja, o dia a dia vai picando o balão com grãos imperceptíveis como os que se misturam na areia da praia. Mais tarde ou mais cedo, o balão vai ficando gasto,  rasgará e pode rebentar.
Fora do balão não é possível respirar o mesmo ar impregnado de esperança e ingenuidade.
Fora do balão interferem as pessoas, o tempo, os pensamentos, as mágoas, as convicções, os projetos.
Sem aviso, passamos a resguardar a nossa alma por precaução e damos por nós a dar passos pequeninos de afastamento e a racionalizar o que antes não chegámos sequer a ponderar.

- Talvez seja preciso largar o casulo da paixão para se libertar e ser ainda mais belo como na lagarta que se transforma em borboleta.- dizem uns.
- Sim. Talvez o verdadeiro amor se revele nessa prova.- respondem outros.
Ou talvez não. Talvez o verdadeiro amor não exista ou seja apenas uma ilusão que, como o próprio nome indica, tem os dias contados.
Ou talvez não se assemelhe nada a uma lagarta e só tenhamos muita dificuldade em reconhecer o momento certo para admitir que chegou ao fim e que é hora de deixar ir.
Certo que não será nunca plausível, ao prever o futuro, imaginarmo-nos apenas um estranho na vida de quem, um dia, nos fez deixar a nossa alma planar nesse balão.

imagem no Pinterest - Clalh Salvatore

sábado, 27 de abril de 2019

do amor.






OUVI DIZER - Ornatos Violeta

quinta-feira, 25 de abril de 2019

"... sem sequer pararem para pensar que elas, afinal de contas, também são pessoas." Harper Lee (1960)


"- O que... ah, sim, porque é que eu finjo? Bem é muito simples - disse ele. - Há pessoas que... pronto, que não gostam da maneira como eu vivo. Eu podia mandá-las para o diabo que as carregue, porque não me importava mesmo nada que gostem ou não. Reparem, eu digo que não me importo mesmo nada que gostem ou não, certo... mas não digo "vão prò diabo que vos carregue", estão a ver?
- Não senhor. - respondemos juntos.
- Eu tento dar-lhes um motivo, percebem? As pessoas percebem melhor as coisas se tiverem um motivo, certo? Quando venho à cidade, o que é raro, se cambalear um bocado e beber deste saco, as pessoas podem dizer que o Dolphus Raymond já está metido nos copos... e é por isso que ele não muda. O pobre coitado nada pode fazer e é por isso que vive como vive.
- Mais isso não é honesto, Mr. Raymond. Fazer-se passar por uma pessoa pior do que na realidade é...
- Não é nada honesto, eu sei, mas dá uma grande ajuda às pessoas, Miss Finch, na realidade, eu nem bebo muito, mas percebe que elas nunca, mas mesmo nunca, iriam compreender que eu vivo assim porque quero.
Tinha um pressentimento de que não devia estar ali a ouvir aquele pecador, que tinha imensos filhos mestiços e que não queria saber dos outros, mas a verdade é que ele era fascinante. Nunca tinha conhecido um indivíduo que se defraudava deliberadamente a si próprio. Mas porque é que ele nos tinha contado aquele segredo tão importante? Perguntei-lhe porquê.
- Porque vocês são crianças e podem perceber isso - respondera - e porque estava a ouvir este...
Voltou a cabeça para o Dill - A vida ainda não lhe refreou os instintos. Deixem-no crescer mais um bocadinho e vão ver que ele já não se sente mal, nem vai chorar mais. Talvez sinta que as coisas são... que as coisas não estão lá muito certas, mas nunca irá chorar quando tiver mais uns anos em cima.
- Chorar porquê, Mr. Raymond? - a masculinidade do Dill começava agora a revelar-se.
- Chorar pelo inferno absoluto por que umas pessoas fazem passar as outras... sem dó nem piedade. Chorar pelo inferno por que os brancos fazem passar as pessoas de cor, sem sequer pararem para pensar que elas, afinal de contas, também são pessoas." Harper Lee - Mataram a Cotovia (1960)

imagem no Pinterest de foursquare.com

quarta-feira, 20 de março de 2019

Confesso-me apaixonada...


"Afinal, perguntei-me enquanto desviava o olhar, como se não tivesse dificuldade em ver o que estava no interior da montra, o que é que nós sabemos uns dos outros? (...) e não havia dúvida que era verdade aquilo que todos diziam, mesmo as pessoas que gostam de mim: que eu parecia um sujeito arrogante, alguém que despreza tudo quanto é humano, um misantropo que para tudo e todos tem sempre disponível um comentário cheio de escárnio. Foi essa, certamente, a impressão com que o fumador ficou de mim.
E, no entanto, como ele se enganava! Quantas vezes dou comigo a pensar: se ando sempre assim, tão exageradamente direito, não será para protestar contra o corpo inexoravelmente dobrado do meu pai (...) Quando me endireito é como se, ao fazê-lo, pudesse também endireitar, para lá do túmulo, as costas do meu orgulhoso pai, ou como se, por intermédio de uma qualquer lei mágica de efeito retrógrado, conseguisse tornar a vida menos curvada e minada pela dor. (...)
(...) Depois de uma noite sem fim, passada sem sono nem consolo, eu teria sido o último a olhar com arrogância para os outros. No dia anterior anunciara a um doente, na presença da sua mulher, que já não lhe restava muito tempo de vida. Tens que fazê-lo, insistira comigo próprio, antes de lhes pedir para entrarem no consultório, eles têm o direito de planearem o seu futuro e os dos cinco filhos. E depois, não esquecer: uma parte da dignidade humana consiste na força que é necessária para olhar o próprio destino de olhos nos olhos, por mais difícil que isso seja.
(...)
O olhar do homem do cigarro (...) Aquilo que via em mim não lhe podia revelar nada sobre um poço de dúvidas e fragilidades que tão-pouco coincidia com aquela minha aparência orgulhosa e mesmo arrogante. (...) extraí-lhe a imagem de mim que ele em si criara. Aquilo que eu parecia e mostrava ser, pensei, nunca o havia sido, nem um único minuto da minha vida. Nem na escola, nem na universidade, nem no consultório. Será que acontece o mesmo com os outros? Será que ninguém se reconhece no seu exterior? Que a imagem de si próprios lhes surge como um cenário de deformações grosseiras? Que todos se apercebem com horror do abismo que invariavelmente se abre entre a percepção que os outros têm deles e o modo como se vêem a si próprios? Que as duas intimidades, a interior e a exterior, se podem afastar de tal maneira que acaba por tornar-se quase impossível considerá-las como intimidade com o mesmo ser?
A distância para com os outros, para a qual nos transporta esta consciência, torna-se ainda maior quando realizamos que a nossa imagem exterior não surge aos outros como aos nossos próprios olhos.Não se vêem pessoas como se vêem casas, árvores ou estrelas. Vemo-las na expectativa de as podermos encontrar de uma certa maneira, tornando-as assim num pedaço da nossa própria interioridade. A fantasia compõe-nos uma imagem À nossa medida, para que os outros possam  corresponder aos nossos desejos e esperança, mas também de modo a que neles se confirmem os nossos próprios receios e preconceitos. Na verdade, nem sequer conseguimos alcançar, de uma forma segura e imparcial, os contornos exteriores de uma outra pessoa. A meio caminho, o nosso olhar é desviado e turvado por todos os desejos e fantasmas que fazem de nós a pessoa especial e insubstituível que somos.
Mesmo o exterior de um interior continua a ser um pedaço do nosso mundo interior, para já não falarmos dos pensamentos que produzimos sobre um outro mundo interior que, no fundo, são tão inseguros e imprecisos que acabam por revelar mais sobre nós próprios do que sobre o outro. (...) E como é que essa imagem se insere na estrutura secreta das suas simpatias e antipatias e na restante arquitetura da sua alma? O que é que na minha aparência é exagerado e ampliado pelo seu olhar e o que é que ele delicadamente exclui, como se não existisse? Inevitavelmente, será sempre uma imagem distorcida, aquela que o estranho fumador constituirá da minha imagem, e a sua noção daquilo que penso que acumulará distorções sobre distorções. E assim acabamos por ser duplamente estranhos, pois entre nós não se encontra apenas o enganador mundo exterior, como também a imagem enganadora que dele surge a cada interioridade.
Mas serão esta estranheza e esta distância mesmo um mal? E um pintor teria inevitavelmente que nos representar de braços abertos, desesperados na vã tentativa de alcançar o outro? Ou será que os eu quadro, nos devia mostrar, pelo contrário, numa posição reveladora do alívio que sentimos pela consciência dessa dupla barreira que é também sempre um muro protector? Devíamos estar gratos pela protecção que a perplexidade nos concede? E pela liberdade que ela torna possível? Como seria se nos deparássemos um com o outro completamente desprotegidos, através da dupla clivagem que o corpo interpretado representa? Se nos precipitássemos um para dentro do outro, sem que nada de divisório e ilusório se interpusesse?" Pascal Mercier, Comboio Nocturno para Lisboa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Moça e algumas coincidências 🙂


Acontece muito deixar que outro tipo de inteligência escolha a música que o meu tipo de sensibilidade gosta de ouvir. Isso é bom, não é? Acho até que se pode considerar como uma medida para atenuar esta minha mania de controlar tudo.
Ou então uma forma de me animar com o futuro sendo que ele vai ser cada vez mais assim e não necessariamente deixaremos de ter a capacidade para nos emocionar.
Eu gosto disso e divirto-me muito. É VOCÊS?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

- 2019, estou à tua espera!!




Pois.
E fica tudo dito, não é?
Guardar tudo para uma data especial para quê se tudo fica mais fácil, todos os dias, quando um amigo nos traz um miminho ou alguém sorri para nós. Acho que 2018 foi isso.
Viver cada dia por si, dando-lhe sempre o melhor possível.
Vivê-lo de coração aberto dando-lhe espaço para ser triste se tiver mesmo de ser, de festa mesmo se assim estiver estipulado ou de balanço se desde sempre foi assim.
Viver do nosso jeito, à nossa maneira. O que não implica contrariar o que a sociedade criou, o que é costume na nossa família ou que sempre fizemos para nos sentir melhor
Procurar viver do jeito que nos faz mais felizes é mesmo ir desbravando caminho, com todos os sentidos apurados, sabendo dar espaço para que os outros nos completem, nos apreciem, nos ajudem a crescer e percebendo também quando é hora de largar, passar à frente.
Viver sabendo que um dia é só um dia para o que é bom e para o que é mau, acreditando que o próximo será melhor quando este não foi tão bom ou que será igualmente importante quando afinal as coisas boas também nos encontram.
Viver com o coração em paz não significa ficar conformado tal Álvaro Campos só a contemplar a natureza.
É preciso colocar energia na busca do tipo de vida e de pessoas que nos preenche e nos faz feliz, fazendo-o em verdade e em respeito por nós e pelos que nos querem bem.
É saber atrasar o passo para acompanhar os que amamos e que gostam da vida mais calminha, É acelerar quando os mais despachados assim o exigem.
É ser pessoa, filha, irmã, tia, amiga e mulher ao mesmo tempo ou um pouco de cada vez
É tentar ser gentileza, bondade, harmonia e esperança.
É ser também ser partilha de força, de decisão, de sonho, de experiência.
É saber cativar e deixar-se cativar pelos sonhadores, pelos pensadores, pelos criadores.

E é este o meu balanço de 2018. Um ano de sair da zona de conforto, de estabelecer diferentes ritmos com diferentes pessoas, de encontrar formas de me manter eu e ser minha e ao mesmo tempo ser um bocadinho de cada vez mais outros.
Foi um ano algodão.
Um ano nuvem que me ensinou que também é preciso saber gerir as coisas boas, para verdadeiramente as apreciar e valorizar e que tal implica ferramentas muito diferentes das que usamos quando aceitamos o que é menos bom e nos fazemos à vida de sorriso no rosto.
Foi um ano terra. De consiência. De reflexão.

Para o mundo, espero que 2019 seja um ano de mais fraternidade, respeito e acontecimentos mais circulares do que obtusos. Que possa a nova geração ser mais gentil com o próximo e ir deixando assim uma mancha mais solidária, mesma na geração mais casmurra.

Para os que fazem parte do MEU mundo, espero que seja um ano meiguinho e redondinho. Que se cumprem algumas das coisas que desejam e que outras saiam todos trocadas, porque também da dificuldade e da surpresa se faz a felicidade. Que possa estar presente e que saiba aquecer-vos a alma quando precisarem. Que encontremos sempre pretexto e tempo para dizer "olá","gosto de ti", beber um chá, um café ou uma laranjada, apanhar sol ou ver um espetáculo qualquer.

Que 2019 se preencha de muitos dias bem vividos e especiais que vos apeteça sempre recordar;)
Valorizem as coisas boas e sejam MUITO FELIZES, todos os dias!!!!


 

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

de ti.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Suavizem-se.

Existem tantas mensagens de Natal ou acerca do Natal que, embora não deixem de ser verdadeiras por causa disso, vêm agrupadas em muita quantidade, banalizam-se, repetem-se, passam-se à frente sem ler e chegamos ao ponto de desejar que mais ninguém se debruce sobre o tema.
Isso acontece muitas vezes ao longo do ano aqui nesta realidade virtual.
 Mas se assim é assim  também o é porque vivemos em comunidade, em cultura, em conjunto e isso também comprova a universalidade e a intemporalidade dos nossos sentires.
De certeza que em algum momento também dariam por vocês a sentir saudades dos cânticos, das luzinhas, dos papeis de embrulho, das fitas de fantasia, das imagens fofinhas, da cor encarnada espalhada por todo o lado, dos jantares e juntares com as pessoas que ao longo do ano fomos perdendo o rasto.
Ou não?
Claro que sim.

Já escrevi aqui o significado do Natal e da época natalícia para mim. Ao rever as publicações de anos anteriores sorri muito ao perceber que nada mudou. Vou simplificando hábitos, tentando moderar o consumismo e reforçar os valores que me parecem mais importantes.
E escolho a época para agradecer.
Às pessoas e à vida o que de bom fui recebendo e a clareza com que passo a encarar situações que antes me pareciam negativas.
E deixo-me suavizar.
Também é preciso marcar tempo para nos deixarmos preencher do que nos parece valioso. E se esse tempo coincidir com o dos que nos rodeiam e com o dos outros que estão mais distantes, tanto melhor, assim estamos todos em sintonia, o que cria invariavelmente uma atmosfera ainda mais especial.
Por isso, a cada pensamento mais rezingão sobre o natal, procurem lá um positivo para contrapartida. Se escolhermos simplesmente ser felizes, a vida, não fica mais fácil?!
Eu cá tenho a certeza que sim.
Abram o coração, mimem-se uns aos outros e liguem nessas mentes o botão de "SER MUITO FELIZ!!"

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Verticalidade.


"Fico feliz por constatar que nem todas as adversidades com que me tenho deparado são o suficiente para me distrair de agradecer os pequenos prazeres do dia a dia: o azul do mar, o vento ameno, a luz azulada da zona, o som dos motores dos carros em treino no autódromo mesmo aqui ao lado, a eternização do verão nas pessoas de minissaia e calções, o sorriso dos desconhecidos, as demonstrações de amizade dos conhecidos. Gosto desta característica de me conseguir manter eu apesar de tudo o que me tenta vergar." T. Out/15

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Um tostão



-Em que estás a pensar? - ouviu-o perguntar e voltou a centrar o pensamento na mesma dimensão onde ele se encontrava.
Distraída pelo calor do raio solar que passava pela vidro sujo de marcas da chuva e da maresia trazida pelo vento,  sonhava ou sentia apenas algo que não conseguiria traduzir em palavras.
Uma sensação de aconchego e carinho que a envolvia , a partir do interior do seu ser.
Pura felicidade, ilusão, paz? Não sabia como descrever.
Mesmo quando, tal como agora, se esforçava por encontrar as palavras certas (ou mesmo só as mais certas) não lhe surgia nenhuma que expressasse o que sentia.
Decidiu eufemizar.
-E tu? Tens como pagar?
Surpreendido, esboçou um sorriso, aproximou-se mais e repetiu:
-Estavas tão calada e distraída a olhar o mar. Está tudo bem?
-Sim.  - desviou o olhar para o copo e procurou resistir ao prazer da evasão.
-Não tens como me pagar então!
-Ah não?! Nem que te pague a água? Podes pedir outra coisa se quiseres. - brincou ele.
-Tens algum tostão?
-Tenho.
-Tens? - deu uma gargalhada, fingiu-se surpreendida e desconfiada.
Eufemiza, facilita, brinca, aproxima-te, deixa-o entrar.
-Não estou a perceber. - disse ele, sério e impaciente.
-"Um tostão pelos teus pensamentos". Adoro esta expressão. - explicou ela, tentando suavizar o momento com um sorriso e um piscar de olho.
-Ah! Mas não vou pagar pelos teus pensamentos. Só me contas se quiseres. - respondeu ele, irritado e orgulhoso.
-Eu sei.- murmurou, voltando-se de novo para o mar. Sentia-se desapegada, incompreendida, desacompanhada, triste.
Ele pegou no telemóvel:
-Olha,  o restaurante de que te falei. Vê o que achas.
E ela aproximou-se do telemóvel,olhou o ecrã, fez deslizar as imagens.
Naquela dimensão mostrou-se interessada no programa,  na companhia, na prolongamento da ilusão.
Nas outras mil dimensões da sua alma ficou a desilusão que as pessoas lhe provocavam de tempos a tempos, a solidão das mentes inquietas, a escassez das conversas ricas
Impondo a si mesma a paciência para se deixar gostar pelos outros, para se deixar acompanhar, entreter.


domingo, 14 de outubro de 2018

enjoy the litle things

Parece que o outono já chegou, mas, pelo menos por aqui, largou as malas, mas tem andado mais fugido do que presente.
Perfeito. Bom, bom é que seja assim. Ameno!
E perfeito rima com felicidade.
E todos já lemos que a felicidade é mais percurso que destino e, se ainda não ouviram, digo-vos eu: é mais nosso interior do que as circunstâncias que nos acolhem.
E para quem quer desculpas para sorrir e se emocionar, ficam algumas sugestões.

TEATRO MUSICAL - A BELA E O MONSTRO - produção Ballevita - Academia de Artes

     imagem em TIME OUT Lisboa
29 set a 21out
sábados e domingos
Auditório - Centro Cultural da Malaposta ( Odivelas)

 

o que me fez sorrir:

a sala cheia com todas as idades e gerações: bebés, crianças de colo, meninos do jardim, da escola primária, pais, tios, avós, meninos e meninas, mulheres e homens;

a persistência dos sonhadores: os que produzem, os que escrevem, os que ensinam, os que aprendem, os que cantam mesmo sem voz, os que dançam mesmo sem jeito;

os olhos brilhantes e o medo que se via aqui e ali nas caras fascinadas das crianças;

os comentários espontâneos, divertidos e tão fora da caixa de algumas crianças "Mas o que é que elas lá estão a fazer?/ Vão ajudá-lo./ Ah, mas elas são médicas?" e "Porque é que elas estão todas vestidas de igual? Moram todas na mesma casa?";

a empatia dos mais novos "Mãe, coitadinho do Monstro. Ele está triste e sozinho";

a profunda e verdadeira admiração pelo vestido de baile da princesa "Oh, mãe, vê, vê o vestido dela" e "Ohhhh, quem me dera estar na primeira fila!"

Ver que as crianças ainda são crianças apesar de tudo, apesar do pouco tempo, da pouca atenção, da vida corrida e das novas tecnologias. As crianças resistem e sim, ainda têm a capacidade de se deixar emocionar.



EXPOSIÇÃO "QUEL AMOUR!?" - ERIC CORNE

      imagem na NIT
Exposição Temporária
Museu Coleção Berardo
Piso 0
gratuita


"Na imagem está uma peça de Eric Rondepierre, uma película de antigos filmes de amor queimada e depois fotografada. A exposição tem trabalhos de várias expressões artísticas e obras sexualmente explícitas. O museu recomenda que os menores sejam acompanhados pelos seus tutores legais quando visitarem “Quel Amour!?”. A exposição fica patente até 17 de fevereiro." - NIT


" Quel Amour!? reúne artistas de diferentes gerações, países e culturas para os quais o Amor foi fonte de inspiração. Indubitavelmente, o Amor é dos sentimentos mais determinantes da vida humana, pelo que foi e é ainda um tema presente na história da arte.
A humanidade, em geral, e os artistas, em particular, pela sua sensibilidade, sentem a necessidade de exprimir este sentimento, tão pessoal e diverso, que se manifesta de inúmeras maneiras. É esta pluralidade que se pretende explorar em Quel Amour!?.
Esperamos que seja um ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre o tema do Amor, sobre a sua diversidade e transversalidade, contribuindo assim para uma melhor compreensão de nós próprios e do nosso mundo." - museu berardo

O que me faz sorrir:

o artigo no site do Observador.pt, por ser completo, por mostrar a génese do projetos, por nos dar indicações sobre como viver a exposição



JAZZAFARIT UNIT - EL CORTE INGLÉS



14 out
21h´
gratuito

o que me faz sorrir:
a música, o momento, a expressão
´

REVERSE - POLL&BEACH LOUNGE


     imagem em casamentos.pt

o que me faz sorrir:

sushi & outros
loiça de porcelana
pé na areia
olho no mar 

/

sábado, 13 de outubro de 2018

Ver com outros olhos


Exposição fotográfica VER COM OUTROS OLHOS - Fundação Caloute Gulbenkian


"Que percepção terá da imagem uma pessoa que não vê, ou que vê muito pouco?"

até 12 nov 18
10.00 -18.00
edifício sede - galeria do piso inferior
entrada livre

Um projeto desenvolvido pelo MEF - Movimento de Expressão Fotográfica, apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian através da iniciativa PARTIS - Práticas Artísticas para a Inclusão Social.

O que me fez sorrir:
o cuidado explícito na disposição e descrição das obras para visuais, invisuais e pessoas com visibilidade reduzida (o que faz todo o sentido, mas que serve também de mostra de como a inclusão se pode fazer mais do cuidado do que do problema);

a grandiosidade e a generosidade do projeto (fico verdadeiramente feliz, acende-se algo na minha alma sempre que percebe que o mundo continua a rolar e sempre continuará, porque enquanto uns se esforçam para fixar calços, outros dedicam-se a tirá-los de lá. Foi a esperança que me fez sorrir)

o realismo e a crueza com que o tema é exposto, a honestidade das descrições, a dureza das histórias de vida, a coragem da exposição (revi muito so que já tinha ouvido, percebido, aprendido e senti . na minha modesta opinião - que apesar da amostra ser reduzida era muito significativa.

rever o Braille, ainda que aumentado e diferente, reconhecer palavras, recordar momentos, recordar batalhas, recordar sucessos, recordar sorrisos, gestos. lembrar que a vida é feita disso também: boas recordações.

A propósito:

OFICINA DE FOTOGRAFIA INCLUSIVA - Imagens do Sentir

sábado 13 - 11.00
público geral - +10 - inclusiva
Centro Interpretativo Gonçalo Ribeiro Telles - jardim

Mais informações e imagens passem lá no site da gulbenkian.pt

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

VIVER!


LIVE FOR THE MOMENTS
 YOU CAN'T
 PUT INTO WORDS!


Depois de todas as batalhas, para além de todas as vitórias, apesar de todos os fracassos, aliado a todos os sonhos, estão estes momentos. 

Fragéis, efémeros, simples e de um valor que palavra alguma alguma vez conseguirá aproximar.
É o que vos faz minhas pessoas, meu espaço.

É o que vos faz EU!

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

The truth is I am a toy!


domingo, 29 de julho de 2018

Mehendi & other stuff

Mehendi acabado de pintar

 Sabem o que se diz por aí do povo português?
Que sabe acolher.
Que sabe aceitar.
Que não é hermético.
Que não tem tendência para segregar.
Como portuguesa, fiquei orgulhosa pelos elogios.
Como portuguesa, identifiquei-me completamente.
Para todos os outros portugueses que fazem parte deste grupo, os meus parabéns!



Mehendi seco antes de lavar
Mehendi após uma semana ;)



quinta-feira, 12 de julho de 2018

ANSWER TO NO ONE!


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Pausa. Sorriso. Horizonte. Felicidade.


Tão eu. 
Não no jardim, mas na varanda. 
Durante a noite. Durante o dia. Ao final da tarde. Ao virar do dia.
Às vezes a ouvir música, outras a apreciar o silêncio.
Umas vezes a comer, Outras a beber café ou um copo de vinho tinto. 
Às vezes a ler, muitas vezes só a organizar emoções.
Habitual e, inevitavelmente, a escrever  muitas páginas que ficam no rascunho de vários projetos em construção.

Estar só e ser genuinamente feliz. 
Estar só e conversar de forma enriquecedora.
Dar andamento a ideais.
Dar sentido à vida.
Ser inteira.
Ser intensa.
Ser.
De verdade!



imagem retirada de uma publicação do feed do facebook (não me recordo de qual)


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