sábado, 22 de maio de 2021
"Assim podia ler na cama. Os livros"
sábado, 12 de setembro de 2020
Da Gentileza :)
Para os meus alunos também. É logo das primeiras coisas que falo quando falamos das "regras" da sala de aula. Para mim, a gentileza, a cortesia e a camaradagem são palavras que saíram de moda mas que balizam tão melhor a imensidão da banalizada palavra "respeito", embora ainda hoje e a respeito desta reflexão alguém me tenha explicado que a palavra na sua génese também é bem objetiva.
As pessoas desconhecidas são a minha maior fonte de inspiração. Elas aparecem na minha mente através apreendidas através dos sentidos e inquietam-me tantas vezes. Tantas mais vezes do que aquelas que eu consigo partilhar. Elas apareçam na sua vida como pequenos stop motions que serve de gatilho para reações que me lembram que viver também é isto de ser sociedade e partilhar com os outros.
Ontem ao longo do dia aconteceram muitas muitas situações, mas partilho duas que se relacionam com a simples gentileza:
Numa secretaria escolar, estava na mesa do lado (da parte de quem é atendido), uma menina que devia ter uns 15 anos. Toda bonitinha e engraçadinha e com aquele ar inconfundível e amoroso do misto entre uma mulher e uma menina. Ela estava a tratar de várias situações e a pessoa que a estava a atender (que teria provavelmente netos da idade dela) explicou-lhe tudo com muita piada e bom humor, apesar das barreiras acrílicas e das máscaras.
- Mas olha, nesse dia tens que encomendar o equipamento que é obrigatório e que é pago adiantado. - disse a senhora com voz de avó/mãe.
- O quê? Tenho que usar um equipamento daqui?
- Sim. É obrigatório.
- Mas como assim? Um equipamento tem o quê? T-shirt?
- Tem o que quiseres comprar. Calças ou calções, t-shirt, camisola...
- E eu tenho que usar sempre esse equipamento? - espantava-se a miúda, mas de forma sossegada e educada
- Pois - ria-se a senhora (e eu por dentro confesso). Mas o que querias usar, minha querida? Como é que estavas a pensar vir para as aulas? Assim de calças de ganga?
- Não! Mas pensei que pudesse pôr o equipamento para lavar e trazer umas calças ou assim...
- Ah, mas isso é com o professor. Falas com o professor e logo vês. Mas vem preparada aí com uns 10 euros. Depende do que quiseres comprar para fazeres logo a encomenda. - recomendou
- E tem que ser nesse dia? - perguntava a menina aflita
- Tens o dia a seguir, mas no dia a seguir vêm outros alunos à apresentação e depois é mais confuso. Traz nesse dia que é mais fácil.- sugeriu com toda a calma
- Está bem... - e a voz mal saía.
- Pronto, minha querida, é só isso? Podes ir. Tem um bom ano. - despediu-se a senhora sorridente da menina que foi atarantada dali.
O que enterneceu foi a gentileza, a empatia desta funcionária de uma secretaria onde todos corriam de um lado para o outro. A calma com que tratou esta nova aluna, como validou as suas dúvidas e preocupações. Como foi um pouco mãe e avó e irmã e amiga sem deixar de ser a senhora da secretaria. Fiquei emocionada, pois há muito que não assistia a um momento tão bonito neste contexto agreste que às vezes é uma escola. Encheu-me a alma de esperança e só não partilhei com a senhora o bem que me fez nesse dia (e provavelmente àquela menina e àquela família) porque mais uma vez a correria nos ganhou e roubou esse momento e antes de eu ser "despachada" já tinha saído, mas um dia em que tenha oportunidade vou falar-lhe disso...
Foi o que faltou na situação seguinte. Empatia, reconhecimento, amizade, amor..... gentileza.
Um casal aproxima-se da passadeira da via do lado oposto com um carrinho de bebé que a mulher empurrava. O homem começou a passar a passadeira sem esperar para confirmar que eu ia parar ou esperar que a mulher avançasse. Ela não avançou. Só avançou depois de eu parar, apesar de estarem do outro lado da rua. Parecia que iam fazer uma caminhada pelo sítio onde estavam e para onde se dirigiam e pelas roupas que vestiam. A mulher, possivelmente mãe recente, trazia roupa escura de treino e uma sapatilhas aparentemente novas. Aparentavam ser pessoas humildes. A senhora apresentava um ar cansado e pouco animado perante a "caminhada". O homem vestia uma roupa de dia escura, mas não de treino como se se tivesse levantado para fazer aquela caminhada. Eram treze horas de um dia de muito calor (mas vamos passar isso à frente - até podiam ter que fazer uma caminhada para ir ao médico... não vou julgar). A senhora passou mais devagar pois levava o carrinho que ao subir o passeio bateu e demorou mais um bocadinho. Quando passou à minha frente eu sorri-lhe. O homem esperou-a do outro lado, mas não a ajudou com o carrinho. A senhora depois de estar em segurança fez um gesto de agradecimento ao que eu respondi com um sorriso e um aceno de que não fazia mal. Tive pena dela.
Tive pena que tivesse (pelo menos naquele momento) ao seu lado uma pessoa tão pouco conectada e gentil. Tive pena que pudesse estar a acontecer o mesmo em tantas outras situações no mundo. Tive pena que ele não tivesse sido meu aluno ou filho dos meus pais ou neto da minha avó.... Fiquei triste pela dureza que impomos uns aos outros. Que coisa esta de nos fecharmos em nós. A vida é curta, mas maravilhosa se nos soubermos ajudar uns aos outros.
A mensagem é mesmo esta. Sejam gentis. Sejam gentis genuinamente. No nada do dia a dia. No tudo do que os outros nunca vão ver. Sejam intrinsecamente gentis :)
quinta-feira, 23 de abril de 2020
#41 - sensação de família embrulhada em cartão com selo
"Tell your brother you're listening to his dreams
Tell your sister she is all you need
Tell your mother she is the only one
And your father has made you all that you've become
Estou em casa há 41 dias.
delete it immediately
quarta-feira, 1 de maio de 2019
da alma.
se o ano se faz de outonos e primaveras,
se a vida se faz de inícios e finais,
de que se revestiriam as nossas relações?
Necessariamente de momentos contraditórios e sentimentos antagónicos, contínuos e involuntários.
Passarão todas elas pelos momentos de receio, de filtro, de reconstrução de nós próprios naquilo que achamos que o outro procura? Descobriremos em todas elas outras versões de cada indivíduo que se constroem na convivência do momento atual, necessariamente diferente da construída em outros momentos anteriores?
Há quem diga que uma relação se resolve na seguinte. Será assim?
Também há quem defenda que os fantasmas do passado nos condicionam no futuro. Poderá ser antes assim?
Ou poderão ambas ser verdade e nenhuma delas necessariamente verdadeira?
O certo é que o amor se desenvolve numa espécie de balão de esperança, alheio aos condicionalismos do presente e aos projetos do futuro. Existe uma energia diferente que nos estimula a acreditar sem provas, a sentir sem racionalizar, a confiar sem pedir confirmação. E é dentro desse balão que cometemos a imprudência de nos mostrares como somos, de nos deixarmos ler para além do que nós próprios abarcamos ou podemos compreender. Existe uma almofada de conforto que nos diz que tudo vai sempre correr bem.
E depois chegam os padrões de comportamento, as necessidades, a rotina, a sociedade...
- As relações também são feitas dessas dúvidas, dessas mágoas, desses recuos e avanços. - dizem
- Não há relações perfeitas. É saber reconstruí-las quando tudo parece perdido que vai permitindo viver mais um dia e é na soma desses dias que se concretizam as relações que aos olhos dos outros são perfeitas. - ouço dizer.
Talvez. O certo é que por mais discreto que seja, o dia a dia vai picando o balão com grãos imperceptíveis como os que se misturam na areia da praia. Mais tarde ou mais cedo, o balão vai ficando gasto, rasgará e pode rebentar.
Fora do balão não é possível respirar o mesmo ar impregnado de esperança e ingenuidade.
Fora do balão interferem as pessoas, o tempo, os pensamentos, as mágoas, as convicções, os projetos.
Sem aviso, passamos a resguardar a nossa alma por precaução e damos por nós a dar passos pequeninos de afastamento e a racionalizar o que antes não chegámos sequer a ponderar.
- Talvez seja preciso largar o casulo da paixão para se libertar e ser ainda mais belo como na lagarta que se transforma em borboleta.- dizem uns.
- Sim. Talvez o verdadeiro amor se revele nessa prova.- respondem outros.
Ou talvez não. Talvez o verdadeiro amor não exista ou seja apenas uma ilusão que, como o próprio nome indica, tem os dias contados.
Ou talvez não se assemelhe nada a uma lagarta e só tenhamos muita dificuldade em reconhecer o momento certo para admitir que chegou ao fim e que é hora de deixar ir.
Certo que não será nunca plausível, ao prever o futuro, imaginarmo-nos apenas um estranho na vida de quem, um dia, nos fez deixar a nossa alma planar nesse balão.
imagem no Pinterest - Clalh Salvatore
sábado, 27 de abril de 2019
do amor.
quinta-feira, 25 de abril de 2019
"... sem sequer pararem para pensar que elas, afinal de contas, também são pessoas." Harper Lee (1960)
"- O que... ah, sim, porque é que eu finjo? Bem é muito simples - disse ele. - Há pessoas que... pronto, que não gostam da maneira como eu vivo. Eu podia mandá-las para o diabo que as carregue, porque não me importava mesmo nada que gostem ou não. Reparem, eu digo que não me importo mesmo nada que gostem ou não, certo... mas não digo "vão prò diabo que vos carregue", estão a ver?
- Não senhor. - respondemos juntos.
- Eu tento dar-lhes um motivo, percebem? As pessoas percebem melhor as coisas se tiverem um motivo, certo? Quando venho à cidade, o que é raro, se cambalear um bocado e beber deste saco, as pessoas podem dizer que o Dolphus Raymond já está metido nos copos... e é por isso que ele não muda. O pobre coitado nada pode fazer e é por isso que vive como vive.
- Mais isso não é honesto, Mr. Raymond. Fazer-se passar por uma pessoa pior do que na realidade é...
- Não é nada honesto, eu sei, mas dá uma grande ajuda às pessoas, Miss Finch, na realidade, eu nem bebo muito, mas percebe que elas nunca, mas mesmo nunca, iriam compreender que eu vivo assim porque quero.
Tinha um pressentimento de que não devia estar ali a ouvir aquele pecador, que tinha imensos filhos mestiços e que não queria saber dos outros, mas a verdade é que ele era fascinante. Nunca tinha conhecido um indivíduo que se defraudava deliberadamente a si próprio. Mas porque é que ele nos tinha contado aquele segredo tão importante? Perguntei-lhe porquê.
- Porque vocês são crianças e podem perceber isso - respondera - e porque estava a ouvir este...
Voltou a cabeça para o Dill - A vida ainda não lhe refreou os instintos. Deixem-no crescer mais um bocadinho e vão ver que ele já não se sente mal, nem vai chorar mais. Talvez sinta que as coisas são... que as coisas não estão lá muito certas, mas nunca irá chorar quando tiver mais uns anos em cima.
- Chorar porquê, Mr. Raymond? - a masculinidade do Dill começava agora a revelar-se.
- Chorar pelo inferno absoluto por que umas pessoas fazem passar as outras... sem dó nem piedade. Chorar pelo inferno por que os brancos fazem passar as pessoas de cor, sem sequer pararem para pensar que elas, afinal de contas, também são pessoas." Harper Lee - Mataram a Cotovia (1960)
imagem no Pinterest de foursquare.com
quarta-feira, 20 de março de 2019
Confesso-me apaixonada...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Moça e algumas coincidências 🙂
Acontece muito deixar que outro tipo de inteligência escolha a música que o meu tipo de sensibilidade gosta de ouvir. Isso é bom, não é? Acho até que se pode considerar como uma medida para atenuar esta minha mania de controlar tudo.
Ou então uma forma de me animar com o futuro sendo que ele vai ser cada vez mais assim e não necessariamente deixaremos de ter a capacidade para nos emocionar.
Eu gosto disso e divirto-me muito. É VOCÊS?
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
- 2019, estou à tua espera!!
Pois.
Guardar tudo para uma data especial para quê se tudo fica mais fácil, todos os dias, quando um amigo nos traz um miminho ou alguém sorri para nós. Acho que 2018 foi isso.
Viver cada dia por si, dando-lhe sempre o melhor possível.
Vivê-lo de coração aberto dando-lhe espaço para ser triste se tiver mesmo de ser, de festa mesmo se assim estiver estipulado ou de balanço se desde sempre foi assim.
Viver do nosso jeito, à nossa maneira. O que não implica contrariar o que a sociedade criou, o que é costume na nossa família ou que sempre fizemos para nos sentir melhor
Procurar viver do jeito que nos faz mais felizes é mesmo ir desbravando caminho, com todos os sentidos apurados, sabendo dar espaço para que os outros nos completem, nos apreciem, nos ajudem a crescer e percebendo também quando é hora de largar, passar à frente.
Viver sabendo que um dia é só um dia para o que é bom e para o que é mau, acreditando que o próximo será melhor quando este não foi tão bom ou que será igualmente importante quando afinal as coisas boas também nos encontram.
Viver com o coração em paz não significa ficar conformado tal Álvaro Campos só a contemplar a natureza.
É preciso colocar energia na busca do tipo de vida e de pessoas que nos preenche e nos faz feliz, fazendo-o em verdade e em respeito por nós e pelos que nos querem bem.
É saber atrasar o passo para acompanhar os que amamos e que gostam da vida mais calminha, É acelerar quando os mais despachados assim o exigem.
É ser pessoa, filha, irmã, tia, amiga e mulher ao mesmo tempo ou um pouco de cada vez
É tentar ser gentileza, bondade, harmonia e esperança.
É ser também ser partilha de força, de decisão, de sonho, de experiência.
É saber cativar e deixar-se cativar pelos sonhadores, pelos pensadores, pelos criadores.
E é este o meu balanço de 2018. Um ano de sair da zona de conforto, de estabelecer diferentes ritmos com diferentes pessoas, de encontrar formas de me manter eu e ser minha e ao mesmo tempo ser um bocadinho de cada vez mais outros.
Foi um ano algodão.
Um ano nuvem que me ensinou que também é preciso saber gerir as coisas boas, para verdadeiramente as apreciar e valorizar e que tal implica ferramentas muito diferentes das que usamos quando aceitamos o que é menos bom e nos fazemos à vida de sorriso no rosto.
Foi um ano terra. De consiência. De reflexão.
Para o mundo, espero que 2019 seja um ano de mais fraternidade, respeito e acontecimentos mais circulares do que obtusos. Que possa a nova geração ser mais gentil com o próximo e ir deixando assim uma mancha mais solidária, mesma na geração mais casmurra.
Para os que fazem parte do MEU mundo, espero que seja um ano meiguinho e redondinho. Que se cumprem algumas das coisas que desejam e que outras saiam todos trocadas, porque também da dificuldade e da surpresa se faz a felicidade. Que possa estar presente e que saiba aquecer-vos a alma quando precisarem. Que encontremos sempre pretexto e tempo para dizer "olá","gosto de ti", beber um chá, um café ou uma laranjada, apanhar sol ou ver um espetáculo qualquer.
Que 2019 se preencha de muitos dias bem vividos e especiais que vos apeteça sempre recordar;)
Valorizem as coisas boas e sejam MUITO FELIZES, todos os dias!!!!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
Suavizem-se.
Isso acontece muitas vezes ao longo do ano aqui nesta realidade virtual.
Mas se assim é assim também o é porque vivemos em comunidade, em cultura, em conjunto e isso também comprova a universalidade e a intemporalidade dos nossos sentires.
De certeza que em algum momento também dariam por vocês a sentir saudades dos cânticos, das luzinhas, dos papeis de embrulho, das fitas de fantasia, das imagens fofinhas, da cor encarnada espalhada por todo o lado, dos jantares e juntares com as pessoas que ao longo do ano fomos perdendo o rasto.
Ou não?
Claro que sim.
Já escrevi aqui o significado do Natal e da época natalícia para mim. Ao rever as publicações de anos anteriores sorri muito ao perceber que nada mudou. Vou simplificando hábitos, tentando moderar o consumismo e reforçar os valores que me parecem mais importantes.
E escolho a época para agradecer.
Às pessoas e à vida o que de bom fui recebendo e a clareza com que passo a encarar situações que antes me pareciam negativas.
E deixo-me suavizar.
Também é preciso marcar tempo para nos deixarmos preencher do que nos parece valioso. E se esse tempo coincidir com o dos que nos rodeiam e com o dos outros que estão mais distantes, tanto melhor, assim estamos todos em sintonia, o que cria invariavelmente uma atmosfera ainda mais especial.
Por isso, a cada pensamento mais rezingão sobre o natal, procurem lá um positivo para contrapartida. Se escolhermos simplesmente ser felizes, a vida, não fica mais fácil?!
Eu cá tenho a certeza que sim.
Abram o coração, mimem-se uns aos outros e liguem nessas mentes o botão de "SER MUITO FELIZ!!"
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Verticalidade.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Um tostão
-Em que estás a pensar? - ouviu-o perguntar e voltou a centrar o pensamento na mesma dimensão onde ele se encontrava.
Distraída pelo calor do raio solar que passava pela vidro sujo de marcas da chuva e da maresia trazida pelo vento, sonhava ou sentia apenas algo que não conseguiria traduzir em palavras.
Uma sensação de aconchego e carinho que a envolvia , a partir do interior do seu ser.
Pura felicidade, ilusão, paz? Não sabia como descrever.
Mesmo quando, tal como agora, se esforçava por encontrar as palavras certas (ou mesmo só as mais certas) não lhe surgia nenhuma que expressasse o que sentia.
Decidiu eufemizar.
-E tu? Tens como pagar?
Surpreendido, esboçou um sorriso, aproximou-se mais e repetiu:
-Estavas tão calada e distraída a olhar o mar. Está tudo bem?
-Sim. - desviou o olhar para o copo e procurou resistir ao prazer da evasão.
-Não tens como me pagar então!
-Ah não?! Nem que te pague a água? Podes pedir outra coisa se quiseres. - brincou ele.
-Tens algum tostão?
-Tenho.
-Tens? - deu uma gargalhada, fingiu-se surpreendida e desconfiada.
Eufemiza, facilita, brinca, aproxima-te, deixa-o entrar.
-Não estou a perceber. - disse ele, sério e impaciente.
-"Um tostão pelos teus pensamentos". Adoro esta expressão. - explicou ela, tentando suavizar o momento com um sorriso e um piscar de olho.
-Ah! Mas não vou pagar pelos teus pensamentos. Só me contas se quiseres. - respondeu ele, irritado e orgulhoso.
-Eu sei.- murmurou, voltando-se de novo para o mar. Sentia-se desapegada, incompreendida, desacompanhada, triste.
Ele pegou no telemóvel:
-Olha, o restaurante de que te falei. Vê o que achas.
E ela aproximou-se do telemóvel,olhou o ecrã, fez deslizar as imagens.
Naquela dimensão mostrou-se interessada no programa, na companhia, na prolongamento da ilusão.
Nas outras mil dimensões da sua alma ficou a desilusão que as pessoas lhe provocavam de tempos a tempos, a solidão das mentes inquietas, a escassez das conversas ricas
Impondo a si mesma a paciência para se deixar gostar pelos outros, para se deixar acompanhar, entreter.
domingo, 14 de outubro de 2018
enjoy the litle things
Parece que o outono já chegou, mas, pelo menos por aqui, largou as malas, mas tem andado mais fugido do que presente.Perfeito. Bom, bom é que seja assim. Ameno!
E perfeito rima com felicidade.
E todos já lemos que a felicidade é mais percurso que destino e, se ainda não ouviram, digo-vos eu: é mais nosso interior do que as circunstâncias que nos acolhem.
E para quem quer desculpas para sorrir e se emocionar, ficam algumas sugestões.
TEATRO MUSICAL - A BELA E O MONSTRO - produção Ballevita - Academia de Artes
imagem em TIME OUT Lisboa
o que me fez sorrir:
a sala cheia com todas as idades e gerações: bebés, crianças de colo, meninos do jardim, da escola primária, pais, tios, avós, meninos e meninas, mulheres e homens;
a persistência dos sonhadores: os que produzem, os que escrevem, os que ensinam, os que aprendem, os que cantam mesmo sem voz, os que dançam mesmo sem jeito;
os olhos brilhantes e o medo que se via aqui e ali nas caras fascinadas das crianças;
os comentários espontâneos, divertidos e tão fora da caixa de algumas crianças "Mas o que é que elas lá estão a fazer?/ Vão ajudá-lo./ Ah, mas elas são médicas?" e "Porque é que elas estão todas vestidas de igual? Moram todas na mesma casa?";
a empatia dos mais novos "Mãe, coitadinho do Monstro. Ele está triste e sozinho";
a profunda e verdadeira admiração pelo vestido de baile da princesa "Oh, mãe, vê, vê o vestido dela" e "Ohhhh, quem me dera estar na primeira fila!"
Ver que as crianças ainda são crianças apesar de tudo, apesar do pouco tempo, da pouca atenção, da vida corrida e das novas tecnologias. As crianças resistem e sim, ainda têm a capacidade de se deixar emocionar.
EXPOSIÇÃO "QUEL AMOUR!?" - ERIC CORNE
"Na imagem está uma peça de Eric Rondepierre, uma película de antigos filmes de amor queimada e depois fotografada. A exposição tem trabalhos de várias expressões artísticas e obras sexualmente explícitas. O museu recomenda que os menores sejam acompanhados pelos seus tutores legais quando visitarem “Quel Amour!?”. A exposição fica patente até 17 de fevereiro." - NIT
" Quel Amour!? reúne artistas de diferentes gerações, países e culturas para os quais o Amor foi fonte de inspiração. Indubitavelmente, o Amor é dos sentimentos mais determinantes da vida humana, pelo que foi e é ainda um tema presente na história da arte.
A humanidade, em geral, e os artistas, em particular, pela sua sensibilidade, sentem a necessidade de exprimir este sentimento, tão pessoal e diverso, que se manifesta de inúmeras maneiras. É esta pluralidade que se pretende explorar em Quel Amour!?.
Esperamos que seja um ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre o tema do Amor, sobre a sua diversidade e transversalidade, contribuindo assim para uma melhor compreensão de nós próprios e do nosso mundo." - museu berardo
O que me faz sorrir:
o artigo no site do Observador.pt, por ser completo, por mostrar a génese do projetos, por nos dar indicações sobre como viver a exposição
JAZZAFARIT UNIT - EL CORTE INGLÉS
REVERSE - POLL&BEACH LOUNGE
imagem em casamentos.pt
o que me faz sorrir:
sushi & outros
loiça de porcelana
pé na areia
olho no mar
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sábado, 13 de outubro de 2018
Ver com outros olhos
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
VIVER!
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
The truth is I am a toy!
domingo, 29 de julho de 2018
Mehendi & other stuff
![]() |
| Mehendi acabado de pintar |
Que sabe acolher.
Que sabe aceitar.
Que não é hermético.
Que não tem tendência para segregar.
Como portuguesa, fiquei orgulhosa pelos elogios.
Como portuguesa, identifiquei-me completamente.
Para todos os outros portugueses que fazem parte deste grupo, os meus parabéns!
![]() |
| Mehendi seco antes de lavar |
![]() |
| Mehendi após uma semana ;) |
























