Nestes dias LONGOS de recuperação toda a gente me diz para ver filmes, séries, televisão, ler uns livros.
Nos primeiros momentos isso era impossível e sempre que tinha um pouco mais de energia saía à rua. Ultimamente já tenho conseguido ver mais filmes e ler um bocadinho e como não posso ir tanto à rua como gostaria, tenho que me render.
Já que assim é, ficam aqui umas sugestões para quem goste, tenha tempo ou precise de algo com que se distrair.
Para dar umas gargalhadas
Para conhecer perspetivas
Para ser surpreendido
Para "abrir os olhos"
" Apesar de se terem salvo com dinheiro dos contribuintes, rapidamente começaram a culpar os emigrantes e os pobres. Desta vez até culparam os professores."
Para nos devolver a esperança
terça-feira, 10 de maio de 2016
Não é verdade...
Não é verdade que a vida se viva sempre seguida, num fio contínuo, sem interrupções, sem quebras ou paragens.
A vida de que nos habituaram a falar é mais mentira do que
verdade.
É conceito organizado, artificial; fácil de entender, de
assimilar, de reproduzir, de concretizar.
Começa num determinado ponto que se vai encadeando devagar
em outros pontos. Percurso organizado que se cria na nossa mente quando a
palavra se reproduz.
A verdade é que a vida é de porcelana fina: lasca-se, racha-se,
parte-se… e por muito que se cole ou cubra a loiça nunca mais volta a ser igual,
a ser nova, a ser perfeita.
A vida não é um percurso organizado. Abre-se em ramos e mais
ramos.
Não é possível escolher um caminho de cada vez.
É obrigatório percorrer vários ao mesmo tempo, mesmo os que
estiverem cortados ou os que se revelarem becos sem saída.
A vida é o que cada um de nós vive dentro de si mesmo,
independente da vida que nos dizem para viver.
Vida que é mais em cada cicatriz, em cada mazela, em cada
tentativa de recuperação e se renova maravilhosamente a cada gargalhada, em
cada dia de sol e em a cada tarde de preguiça.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Colecionar bons momentos
Bons momentos,boas energias, bons amigos, boas conversas, boas companhias.
Sempre fui muito fã de gente que me deixa bem e sabe ter uma conversa. Esses momentos que tanto valorizei têm- se revelado indispensáveis para me manter bem e capaz de superar este grande obstáculo. Nas horas de silêncio e desconforto lembro-me muito do carinho dos muitos que me rodeiam. De todos os que fui conhecendo ao longo do tempo e que, neste momento, confirmam o meu juízo de valor sobre eles. Vem-me à mente os momentos passados em conjunto. Os sorrisos, as brincadeiras, os projetos.
Acredito na força dessas memórias, na verdadeira energia dessa vida que fomos construindo quando a vida ainda era só as banalidades do quotidiano.
Sei que consigo estar com muitos poucos dos que ficam, mais ou menos longe, a torcer por mim, mas para todos fica a minha profunda gratidão pelo carinho e respeito com que me têm tratado.
Quer seja a afastarem-se quando acham que eu quero, quer seja com os docinhos, os grelos da quinta, a canjinha com ovos, os iogurtes caseiros e as gelatinas, quer seja com os pequenos presentes ou empréstimos de lencinhos, brinquinhos ou principalmente com as horas em que ficam a fazer-me companhia quando mal posso falar ou quando me ouvem horas a fio a falar das mesmas coisas,mesmo que mal sentadas ou cheias de frio.
Muitos me têm falado do exemplo, do positivismo com que tenho levado estes dias, mas a verdade é que é fácil manter-me animada com tanto cuidado e atenção à minha volta. É um trabalho de equipa que tem tudo para dar certo.
A todos, mesmo a todos aqueles a quem quase não chego a responder ou com quem falo menos um sincero obrigada.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
O que fica do que parte
Descobri assim por acaso (como descubro quase tudo o que seu sobre mim), o motivo para sempre ter gostado tanto de cemitérios.
Desde miúda sempre gostei de cemitérios.
Sinto um apaziguamento e uma outra sensação que não sei nomear, mas que se parece com uma extrema capacidade de oferecer apoio a quem precisar: uma dose extra de cuidado, paciência, simpatia, compreensão.
Nunca procurei propriamente resolver este meu estranho (ou nem tanto) gosto e ficou assim, uma private joke entre os meus familiares mais chegados.
A sensação que tenho ao entrar num cemitério atribuía-a por ser um local onde, eventualmente, as pessoas estão num sofrimento atroz por uma perda de alguém querido, sem que na maioria das vezes manifestem essa dor.
Reina, habitualmente, o silêncio e um certo absurdo nos gestos corriqueiros de encher o regador de água, tirar as flores do plástico, cortá-las para que fiquem na jarra...
Reconheço e identifico-me automaticamente com esta aparente normalidade exterior onde num olhar mais triste ou perdido ou numa lentidão dos movimentos se percebe a dor, o desalento, a inconformidade, o choque.
Talvez por isso se encha o meu interior de uma dose extra de cuidado. Preciso que o meu sorriso transmita essa empatia. Que a pessoa possa, por breves segundo, sentir-se compreendida e igual ao seu semelhante.
Hoje descobri que o que eu gosto nos cemitérios é sobretudo a representação que eles são do respeito, carinho e dedicação de uns pelos outros.
Alguém, mais ou menos convicto, mais ou menos triste, teve o cuidado, no mínimo, de solicitar a edificação de um espaço (com mais ou menos ornamentações) para o seu ente querido.
Por isso me atraem os jazigos, as campas que se destacam pela excessiva ornamentação ou pelo bom gosto da simplicidade. Gosto de ler as lápides, ver as fotos, imaginar vidas nos sorrisos ou no olhar das pessoas que já se foram.
Gosto da arrumação arquitetónica. Tudo dividido, como em pequenos jardins. Gosto dos gradeamentos, das escadinhas, dos portões. Gosto de ver as pessoas "etiquetadas", as que foram mães, avós, filhos, mulheres. Assim, organizadas e tão facilmente identificáveis. como jamais conseguimos ver quando estão vivas. De certa forma ganhando em método, o que se reduzem em ser.
E por tudo isto, sempre que vou ao cemitério visitar a minha avó, penso que gostaria de ficar por mais um tempo e vaguear. Mas quase nunca fico, porque há uma parte de mim que se sente uma intrusa, assim a bisbilhotar na vida das pessoas, mesmo que a mesma já tenha acabado.
Desde miúda sempre gostei de cemitérios.
Sinto um apaziguamento e uma outra sensação que não sei nomear, mas que se parece com uma extrema capacidade de oferecer apoio a quem precisar: uma dose extra de cuidado, paciência, simpatia, compreensão.
Nunca procurei propriamente resolver este meu estranho (ou nem tanto) gosto e ficou assim, uma private joke entre os meus familiares mais chegados.
A sensação que tenho ao entrar num cemitério atribuía-a por ser um local onde, eventualmente, as pessoas estão num sofrimento atroz por uma perda de alguém querido, sem que na maioria das vezes manifestem essa dor.
Reina, habitualmente, o silêncio e um certo absurdo nos gestos corriqueiros de encher o regador de água, tirar as flores do plástico, cortá-las para que fiquem na jarra...
Reconheço e identifico-me automaticamente com esta aparente normalidade exterior onde num olhar mais triste ou perdido ou numa lentidão dos movimentos se percebe a dor, o desalento, a inconformidade, o choque.
Talvez por isso se encha o meu interior de uma dose extra de cuidado. Preciso que o meu sorriso transmita essa empatia. Que a pessoa possa, por breves segundo, sentir-se compreendida e igual ao seu semelhante.
Hoje descobri que o que eu gosto nos cemitérios é sobretudo a representação que eles são do respeito, carinho e dedicação de uns pelos outros.
Alguém, mais ou menos convicto, mais ou menos triste, teve o cuidado, no mínimo, de solicitar a edificação de um espaço (com mais ou menos ornamentações) para o seu ente querido.
Por isso me atraem os jazigos, as campas que se destacam pela excessiva ornamentação ou pelo bom gosto da simplicidade. Gosto de ler as lápides, ver as fotos, imaginar vidas nos sorrisos ou no olhar das pessoas que já se foram.
Gosto da arrumação arquitetónica. Tudo dividido, como em pequenos jardins. Gosto dos gradeamentos, das escadinhas, dos portões. Gosto de ver as pessoas "etiquetadas", as que foram mães, avós, filhos, mulheres. Assim, organizadas e tão facilmente identificáveis. como jamais conseguimos ver quando estão vivas. De certa forma ganhando em método, o que se reduzem em ser.
E por tudo isto, sempre que vou ao cemitério visitar a minha avó, penso que gostaria de ficar por mais um tempo e vaguear. Mas quase nunca fico, porque há uma parte de mim que se sente uma intrusa, assim a bisbilhotar na vida das pessoas, mesmo que a mesma já tenha acabado.
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